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ARQUITETURA PROMOCIONAL E CONSTRUÇÕES EFÊMERAS

O setor de eventos e feiras, um vasto campo de atuação.

 "Reconhecer o setor como captador de mão de obra não especializada e direcionar recursos educacionais para torná-la ainda mais eficiente são deveres de todo o administrador governamental e da iniciativa privada."

Segundo o SEBRAE e a Associação Brasileira de Empresas de Eventos - ABEOC, em sua pesquisa Dimensionamento Econômico da Indústria de Eventos no Brasil – 2013, realizada naquele ano, o setor de Eventos movimentou R$ 209,2 bilhões, tendo representado 4,32% do PIB nacional. No mesmo estudo, constatamos que o Brasil sediou 590 mil eventos de todos os portes, sendo 95% deles nacionais e metade realizada na região Sudeste. Embora analisemos os dados já com um intervalo de cinco anos, podemos admitir que há uma força significativa nessa atividade econômica e que este é um setor promissor apesar dos oráculos do fim do mundo propagarem que, com um mundo digital, estejamos perto do fim desse mercado.

Minha vivência nesse segmento mostra exatamente o contrário, muito embora tenha notado, ao longo dos anos, uma mudança no formato dos projetos, eventos, público e materiais. É claro que tivemos grandes eventos que, agora, são somente uma página na história como a boa e frequentadíssima FENASOFT nos primórdios da informática nacional e a popularíssima UD, Feira de utilidades domésticas, frequentada por nove entre dez pessoas de São Paulo; que ficaram na memória de todos os visitantes com boas recordações dos estandes, lançamentos e novidades, além das filas enormes para ganhar lembranças, amostras e presentes.

 

Mas por que iniciei o tema com alguns dados estatísticos e outros sentimentais? Primeiro, para tentar justificar que essa atividade está inserida no nosso dia a dia há muito tempo e, depois, para falar da importância que uma indústria de eventos deve ter para agregar mão de obra tanto na execução quanto no projeto e gerenciamento. Estima-se que o setor de Eventos, na época, era responsável por 7,5 milhões de empregos diretos, indiretos e terceirizados na economia nacional e contribuiu com R$ 48,69 bilhões de impostos. Hoje, certamente continuamos na mesma proporção ou até mesmo elevamos esses índices.

 

Existe, na cidade de São Paulo, uma escola Senai somente para a formação de mão de obra para a Construção Civil – Orlando Laviero Ferraiuolo, no Tatuapé – que oferece cursos em diversas áreas e é muito conhecida dos profissionais. Acredito que o setor de Eventos também já esteja merecendo tal atenção, com uma escola própria para formação inicial e continuada dessa mão de obra, hoje ainda crua e formada no dia a dia do trabalho. Fica a dica SENAI!!

 

Trabalhamos nos eventos com diversos profissionais, diretamente empregados em suas montagens, como: tapeceiros, serralheiros, eletricistas, encanadores, montadores de sistemas padronizados em alumínio, marceneiros e carpinteiros; e todos esses foram chegando com a experiência da construção civil, muitas vezes, tentando assimilar novas atividades, conhecimentos, linguagens construtivas e ferramentas no dia a dia.

 

Reconhecer o setor como captador de mão de obra não especializada e direcionar recursos educacionais para torná-la ainda mais eficiente são deveres de todo o administrador governamental e da iniciativa privada.

No que diz respeito ao segmento técnico mais especializado, como arquitetos, engenheiros, tecnólogos e técnicos, acrescento que ainda temos uma boa dose de necessidades para esses profissionais, seja no projeto dos estandes, na implantação técnica nos pavilhões, na decoração e na comunicação visual. Para os arquitetos, designers e decoradores ainda há um mundo de projetos e atuação a ser desvendado; tanto para o pequeno estande particular, cenografias para congressos e feiras quanto para a definição da implantação, infraestrutura e circulação para grandes eventos.

Na área de engenharia, por muitas vezes, com essa nova demanda por projetos personalizados de estandes que usam estruturas metálicas suspensas, vãos generosos, materiais experimentais e sobrecargas para ocupação em dois pavimentos, encontramos tanto a necessidade de cálculos estruturais como elétricos. A Engenharia de Segurança agora avança sobre um mar de oportunidades no setor, visto que a fiscalização e as mudanças de hábito no que diz respeito aos EPIs e à acessibilidade estão mais efetivas.

 

O próprio CREA e o CAU também, já há algum tempo, vêm trabalhando para fiscalizar as atividades dos executores e projetistas, obrigando os profissionais a recolherem as devidas ARTs e RRTs para projeto e execução. Existiu certa resistência no começo do processo, pois muitos profissionais formados por anos de “experiência” não tinham nenhuma formação técnica reconhecida e eram obrigados a recorrer a profissionais formados para que houvesse uma responsabilidade efetiva sobre o objeto construído, isso constatado após alguns graves acidentes durante as montagens.

 

Parece que o setor já entendeu que precisa, cada vez mais, se profissionalizar, embora todo o processo seja efêmero com eventos com duração de um a cinco dias - em média - e tendo o mesmo tempo para montagem e, no final, um ou dois dias para desmontagem.

 

O processo todo acaba ocupando um tempo muito curto e a impermanência da obra passa a impressão de improviso e simplicidade na execução. Mas, precisamos admitir que deva acontecer justamente o contrário já que não há tempo hábil para errar e corrigir. Dessa forma, toda a formação técnica é bem-vinda!

Marcos de Almeida
sócio-diretor da Expo Contraste Comércio e Serviços Promocionais Ltda.

Arquiteto e Urbanista

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