O universo da reciclagem e seus desafios no Brasil

A reciclagem, no Brasil, deve ser pensada a médio e longo prazo, pois ainda estamos longe de alcançar índices significativos de coleta seletiva, que ronda os 3%, e, além disso, contribui para a perda de 120 bilhões, anualmente, em razão da má destinação dos resíduos sólidos que poderiam ser reciclados, de acordo com o presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, Rodrigo Sabatini.

De acordo com o CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem, somente 1.055 municípios possuem sistema de coleta seletiva, correspondente a um índice de 18%.

A Abrelpe - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais - apresentou o estudo “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2016”, no qual informa que foram gerados, no país, cerca de 78,3 milhões de toneladas de RSU (resíduo sólido urbano) e coletados 71,3 milhões de toneladas, com índice de cobertura de coleta de 91%. Portanto, sete milhões de toneladas de resíduos não foram objeto de coleta e, consequentemente, não tiveram destino ambientalmente correto.

Apenas a título de comparação, em 2016, o indíce de coleta seletiva, da União Européia, foi de 46%.

 

São números que assustam e demonstram que há um longo caminho a ser percorrido para que a gestão sustentável dos resíduos sólidos urbanos seja alcançada.

 

Para que tenha êxito, há a necessidade de:

participação de todos - governos federal, estadual e municipal;

 

inclusão de programas de educação ambiental na grade curricular;

implantação de ecopontos para recebimento de materiais recicláveis;

 

instalação de contêineres semienterrados, para coleta de resíduos sólidos nos locais de difícil acesso e com passivos de descarte irregular - os chamados pontos viciados – e para evitar a proliferação de insetos e animais peçonhentos atraídos pelo lixo depositado de forma ambientalmente incorreta.

Outra opção, muito utilizada, há alguns anos, na Europa e nos EUA, é a implantação do sistema PAYT – Pay as you throw, que tem como premissa a cobrança ao morador somente pelo volume do lixo descartado, contribuindo para o aumento do volume de material reciclável, proporcionado pela melhora na triagem por parte do morador.

A população tem papel fundamental nesse processo, na correta separação e no descarte adequado, seja por meio do envio do material aos locais específicos para descarte ou na sua disposição na calçada para ser coletado, nos municípios que dispõem desse serviço; mas, para que ela participe, é fundamental que a informação seja disponibilizada.

Em recente pesquisa apresentada pelo IBOPE, e encomendada pela Cervejaria Ambev, 66% dos brasileiros afirmam saber pouco ou nada a respeito de coleta seletiva e 28% não sabem citar quais são as cores das lixeiras para coleta do material, além disso, 75% não separam os materiais recicláveis individualmente nos lixos que geram em casa e, desses, 39% não separam nem mesmo o lixo orgânico do inorgânico e 56% não utilizam nenhum serviço de coleta seletiva.

 

Após o exposto, ficou evidenciado que a implantação de um programa de coleta seletiva, em qualquer esfera, não depende exclusivamente de um bom planejamento, mas também da participação efetiva dos moradores, na correta separação dos materiais e sua destinação aos locais definidos, e da administração pública, na disponibilização de informação e de programas de educação ambiental para que o objetivo seja alcançado.

 

É importante salientar que todos nós somos responsáveis pelo resíduo que geramos e pela sua destinação ambientalmente correta - responsabilidade compartilhada - e temos que fazer a nossa parte a fim de deixarmos um mundo melhor para as gerações futuras.

José Augusto das Graças

MSc.Arquiteto e Urbanista

CAU: A14596-3

2º Conselheiro da ABEAA

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